O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (5), para 14% ao ano.
Publicidade
A decisão foi unânime e marca o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros, em um ciclo de redução iniciado em março.
Por que o Copom cortou os juros
A prévia da inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou para 0,06% em julho, ante 0,41% registrados em junho, favorecendo a continuidade dos cortes.
Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses está em 4,52%, ligeiramente acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Como funciona a meta de inflação
Desde 2025, o Banco Central segue um sistema de meta contínua de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Isso significa que a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5% ao longo do ano sem ser considerada oficialmente fora da meta.
O que diz o comunicado do Copom
Segundo o comitê, o novo ajuste de 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no período à frente.
O Banco Central citou como fator de atenção as incertezas externas, incluindo as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O que esperar da próxima reunião
A próxima reunião do Copom acontece em cerca de 45 dias. Para o economista Bruno Perri, da Forum Investimentos, a sequência de cortes deve pausar por enquanto.
Em julho, o Copom já havia promovido o terceiro corte seguido, levando a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano.
O que o mercado financeiro espera
Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (3), o mercado financeiro já projeta a Selic em 13,75% ao fim de 2026, recuo em relação à estimativa anterior de 14%.
O mesmo boletim projeta o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em alta de 1,99% neste ano, com o dólar estimado em R$ 5,20 até dezembro.
Para a inflação medida pelo IPCA, a expectativa dos economistas consultados pelo Banco Central é de 5,03% ao fim de 2026, acima do teto da meta oficial.
O que a redução significa para o consumidor
Juros mais baixos tendem a baratear o crédito, incentivando o consumo e o financiamento de bens como imóveis e veículos.
Em contrapartida, taxas menores reduzem o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação, o que exige cautela nas próximas decisões.
Mais notícias sobre economia estão disponíveis na cobertura completa do A Folha Hoje.
Contexto
A Selic chegou a 15% ao ano em junho de 2025, o maior patamar em quase duas décadas, permanecendo nesse nível até o início dos cortes, em março de 2026.
O atual presidente do Banco Central é Gabriel Galípolo, que conduz o colegiado do Copom nas reuniões deste ciclo de redução dos juros.
O Copom se reúne a cada 45 dias, em encontros de dois dias, para avaliar o cenário econômico e decidir o novo patamar da taxa básica de juros do país.






