A crise migratória que atingiu Ceuta, enclave espanhol no norte da África, começou a se intensificar por volta de 30 de julho, quando o fluxo de travessias irregulares vindas do Marrocos disparou de forma extraordinária.
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Ao todo, cerca de 60 mil pessoas chegaram ao território espanhol e, em boa parte, já retornaram ao Marrocos. A Espanha classificou a situação, no último sábado (1º), como praticamente normalizada.
Como a crise começou
O fluxo migratório para Ceuta já vinha em alta antes do pico da crise: até 15 de julho, 2.826 pessoas haviam entrado irregularmente por terra na cidade em 2026, um aumento de 150% frente ao mesmo período de 2025.
Analistas apontam duas hipóteses, ainda não confirmadas, para o salto repentino no fim de julho: uma recente regularização de migrantes pelo governo espanhol e a expectativa de mudança de governo menos favorável ao acolhimento.
A porta-voz do governo espanhol, Elma Saiz, negou que o Executivo tivesse recebido alertas de inteligência sobre a real magnitude do que aconteceria, contrariando uma reportagem da rádio Cadena Ser.
A resposta da Espanha
No sábado (1º), a Espanha começou a instalar uma nova barreira com boias no mar, ao lado da estrutura de concreto que já delimita a fronteira terrestre com o Marrocos.
Ceuta e a vizinha Melilla são as duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano, o que historicamente as transforma em pontos de entrada concentrados.
Segundo o governo espanhol, a resposta à crise só foi possível graças à colaboração direta do Marrocos no controle da travessia e na reabsorção de parte dos migrantes.
Vozes de quem atravessou
Em depoimento à agência AFP, o senegalês Souleil Boyan, de 19 anos, disse que estava no Marrocos havia cinco meses e via na Europa a chance de trabalho que não encontrava na África.
Já o marroquino Soufian, de 42 anos, contou que um amigo avisou por telefone que “a fronteira estava aberta” e decidiu atravessar a nado até Ceuta.
Menores desacompanhados
Os centros de emergência de Ceuta abrigam atualmente 862 migrantes menores de idade, segundo o governo regional, que acredita haver ainda mais crianças e adolescentes que não pediram ajuda formalmente.
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Reação da União Europeia
A magnitude da crise levou ministros da União Europeia a se reunirem para discutir o episódio, num sinal de que o impacto ultrapassou as fronteiras espanholas.
A Itália foi um dos países que mais pressionou Madri: o chanceler Antonio Tajani defendeu publicamente a exclusão da Espanha do espaço Schengen, citando a queda de 80% nos desembarques irregulares italianos neste ano.
Para Tajani, o contraste mostra frouxidão espanhola no controle migratório, argumento rejeitado pelo governo de Pedro Sánchez.
Contexto
A região já havia vivido uma crise semelhante em maio de 2021, quando o Marrocos afrouxou temporariamente os controles fronteiriços em meio a uma disputa diplomática com a Espanha.
Na época, o atrito estava ligado ao tratamento médico de um líder da Frente Polisário em solo espanhol, episódio que irritou o governo marroquino.
Por trás da relação entre os dois países também existe uma disputa territorial de longa data, que segue influenciando a política externa de Madri e Rabat até hoje.






