O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, nesta quarta-feira (17). Foi o terceiro corte seguido do ciclo iniciado em março.
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A decisão foi unânime entre os membros do comitê e ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro, que já projetava a redução no Boletim Focus divulgado dias antes da reunião de política monetária.
Por que o Copom cortou os juros
Segundo o comunicado oficial, o Copom avalia que diferentes trajetórias de juros são “compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, sem se comprometer com os próximos passos do ciclo.
O comitê citou cautela diante do cenário externo, marcado pela indefinição sobre os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e pela volatilidade de ativos e commodities.
Sobre a economia doméstica, o Copom avaliou que a atividade mostrou aceleração no período recente, enquanto as expectativas de inflação, inclusive as projeções do próprio Banco Central, seguiram se distanciando da meta oficial.
- Projeção do mercado para o IPCA 2026 (Boletim Focus): 5,30%
- Projeção do mercado para o IPCA 2027 (Boletim Focus): 4,10%
- Projeção do próprio Copom para o 4º trimestre de 2027: 3,7%
- Meta oficial de inflação: 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual
Todas as projeções de inflação seguem acima da meta oficial, o que explica o tom de cautela mantido pelo comitê mesmo após o corte.
Impacto para quem investe
Para analistas do Banco Safra, a decisão desta quarta-feira ficou dentro do cenário já esperado pela instituição, que projeta a Selic encerrando 2026 em 13,50% ao ano, num processo gradual de queda dos juros.
Na prática, o corte de 0,25 ponto reduz o rendimento de investimentos atrelados à Selic. A diferença equivale a cerca de R$ 104 a menos por ano para cada R$ 50 mil aplicados em CDB que rende 100% do CDI.
Cenário que antecedeu a decisão
Às vésperas da reunião, economistas ouvidos em evento da gestora Inter Asset já descreviam um cenário de “tempestade perfeita” para o Banco Central.
A combinação citada por eles envolvia expectativas de inflação desancoradas, política fiscal expansionista e eventos climáticos extremos pressionando os preços de alimentos.
No mesmo dia, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu manter sua taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado americano.
Contexto
O ciclo atual de afrouxamento monetário começou em março de 2026, depois de o Banco Central manter a Selic em 15% ao ano durante todo o segundo semestre de 2025, o nível mais alto da taxa em quase duas décadas.
Desde então, o Copom já realizou quatro reuniões em 2026, todas terminando em corte de 0,25 ponto percentual, o que configura o ritmo mais gradual de flexibilização já sinalizado pelo comitê neste ciclo.





