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Crise migratória em Ceuta reacende debate sobre resposta da União Europeia

Afluxo recorde de migrantes vindos do Marrocos para Ceuta reacende debate sobre a resposta migratória da União Europeia, com repercussão em França e Itália.

Crise migratória em Ceuta reacende debate sobre resposta da União Europeia
Vista aérea de uma embarcação lotada de centenas de migrantes navegando pelo Mar Mediterrâneo, deixando um rastro de espuma na água escura. Imagem ilustrativa.Massimo Sestini/Guarda Costeira Italiana

Um afluxo sem precedentes de migrantes vindos do Marrocos atingiu Ceuta, enclave espanhol no norte da África, nos últimos dias, reabrindo o debate sobre a resposta migratória da União Europeia.

Segundo as estimativas mais recentes, as travessias irregulares já ultrapassaram 50 mil pessoas, com algumas fontes citando até 60 mil entradas desde o início da emergência — número muito acima do registrado na crise de 2021.

O que está acontecendo em Ceuta

As autoridades espanholas confirmam a morte de pelo menos 34 migrantes que tentavam chegar ao território a nado, um número que as próprias autoridades tratam como provisório.

O chefe do governo espanhol esteve em Ceuta nesta sexta-feira, e o país já promoveu a repatriação de 25 mil pessoas de volta ao Marrocos, segundo balanço oficial.

A magnitude da crise afetou diretamente as relações entre Madri e Rabat. Apesar de reiterar a intenção de cooperar com o Marrocos nos repatriamentos, a Espanha já classifica o momento como uma grave crise diplomática entre os dois países.

Repercussão em outros países da União Europeia

A pressão migratória em Ceuta rapidamente ganhou dimensão internacional, com repercussões sentidas em outros países do bloco europeu.

A França anunciou o reforço dos controles ao longo de sua fronteira com a Espanha, numa tentativa de evitar que os fluxos migratórios avancem para o território francês.

Já a Itália pediu medidas mais contundentes por parte da União Europeia para conter a nova onda de chegadas ao continente.

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Contexto

Ceuta e a vizinha Melilla são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano, o que historicamente as transforma em pontos de entrada concentrados para quem tenta chegar à Europa.

A região já havia vivido uma crise semelhante em maio de 2021, quando milhares de pessoas entraram no enclave espanhol após o afrouxamento temporário dos controles do lado marroquino, também gerando forte tensão diplomática entre os dois países.