Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, a empresária Roberta Luchsinger afirmou que pretende colaborar com as investigações e que não vai poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
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Investigada no âmbito da Operação Sem Desconto, Luchsinger disse aos jornalistas Débora Bergamasco e Iuri Pitta que falará sobre os fatos na esfera judicial. Ela afirmou que participou da mudança de Lulinha para a Espanha, mas esclareceu que sua ajuda foi logística, sem contribuição financeira.
Roberta Luchsinger diz que falará no âmbito judicial
Durante a entrevista, Luchsinger declarou que não poderia detalhar pontos protegidos por sigilo, mas afirmou que existem elementos nos autos e que pretende apresentar o que souber às autoridades. Segundo ela, sua disposição é colaborar caso seja chamada a prestar novos esclarecimentos.
A empresária também disse que teria informações sobre a relação de Lulinha com integrantes do governo e afirmou ter presenciado encontros entre ele e ministros. As declarações foram apresentadas por ela como parte de sua versão sobre os fatos investigados e não representam, por si só, uma conclusão judicial.
Declarações sobre a mudança para a Espanha
Questionada sobre a mudança de Lulinha para a Espanha, Luchsinger afirmou que participou do processo, mas fez uma distinção importante: disse que não ajudou financeiramente, e sim com tempo, viagens, pesquisa de escola e procura de apartamento. Ela relatou ainda que chegou a alugar um imóvel em Madri, posteriormente desocupado, como parte de um projeto pessoal de viver fora do Brasil.
A entrevistada também criticou declarações públicas de Lula a seu respeito e disse que pretende responder às acusações no espaço adequado, com documentos e informações que possam ser analisados pelas autoridades.
O que ela disse sobre os pagamentos investigados
Ao ser questionada sobre pagamentos relacionados a Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, Luchsinger afirmou que parte das informações já está no inquérito e que não poderia detalhar elementos protegidos por decisão judicial. Ela disse que seus sigilos e aparelhos foram disponibilizados às autoridades e que pretende colaborar dentro dos limites impostos pelas medidas cautelares.
Luchsinger declarou que não poupará pessoas envolvidas caso seja chamada a prestar esclarecimentos, mas as falas sobre pagamentos, encontros e eventuais responsabilidades permanecem no campo das alegações e dependem da apuração formal.
O que dizem Lula e Lulinha
Em nota enviada à CNN Brasil, Lula afirmou desconhecer os fatos relatados por Luchsinger, negou ter mantido interlocução com ela e declarou que não existe contrato do governo federal com a empresária. O presidente também questionou o momento das declarações.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva negou irregularidades e afirmou que a relação dele com políticos é de natureza pessoal. Segundo a defesa, as acusações são incompatíveis com o depoimento prestado às autoridades e serão contestadas nos autos.
Entenda o contexto da investigação
Luchsinger é investigada por sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes e com Fábio Luís Lula da Silva. De acordo com a CNN Brasil, ela foi alvo de medidas judiciais no curso da investigação, incluindo busca e apreensão, bloqueio de bens e uso de tornozeleira eletrônica.
A empresária também afirmou que pretende buscar um acordo de colaboração premiada se houver interesse das autoridades. Ela relatou ainda que cumpre medidas cautelares e que não pôde deixar São Paulo após um acidente envolvendo sua filha, caso que, segundo ela, também é investigado.
As acusações e negativas mencionadas nesta reportagem permanecem sob análise das autoridades competentes. A confirmação de eventual responsabilidade depende da apuração e das decisões judiciais no processo.







