As vendas de carros elétricos dispararam no Brasil no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pela alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.
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Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o país está entre os mercados onde as vendas de elétricos praticamente dobraram entre março e junho, na comparação com o mesmo período de 2025.
Quais são os números do mercado brasileiro?
Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o Brasil emplacou 90.470 carros 100% elétricos no primeiro semestre de 2026, salto de 196% sobre as 30.534 unidades vendidas no mesmo período de 2025.
Somando elétricos e híbridos, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) contabilizou 215.023 unidades eletrificadas comercializadas entre janeiro e junho, alta de 125% sobre o ano anterior.
Junho foi o melhor mês da história recente?
Sim. Em junho, foram 47.579 emplacamentos de veículos eletrificados, avanço de 206,5% sobre o mesmo mês de 2025, elevando a participação desses modelos para 18,3% do total de carros novos vendidos no país.
Por que as vendas cresceram justamente agora?
O crescimento ocorre em um cenário geral de retração do setor automotivo: o mercado global de veículos caiu cerca de 5% no primeiro semestre de 2026, puxado pela queda na China e nos Estados Unidos.
A IEA associa o movimento à crise energética provocada pela guerra no Oriente Médio e à volatilidade nos preços dos combustíveis, o que tornou os elétricos mais competitivos frente aos carros a combustão.
Quais marcas lideram o mercado brasileiro?
A montadora chinesa BYD segue na liderança isolada do segmento no Brasil, com o modelo Dolphin Mini como o carro elétrico mais vendido do país.
Mais notícias sobre carros elétricos chineses e o mercado automotivo estão disponíveis na cobertura completa do A Folha Hoje.
A infraestrutura de recarga também está crescendo?
Sim. Nos últimos 12 meses, o número de eletropostos no país aumentou 42%, ultrapassando 21 mil pontos de recarga, dos quais 27% estão concentrados no estado de São Paulo.
Montadoras também têm fechado parcerias para ampliar a confiança dos consumidores: a BYD anunciou a venda de 10 mil unidades do Dolphin Mini para a locadora Localiza, com entregas previstas até 2028.
O aquecimento do mercado brasileiro também atrai novos concorrentes: a chinesa Dongfeng prepara a chegada ao país com dois modelos elétricos, somando-se a marcas já estabelecidas na disputa por espaço no segmento.
Contexto
Desde julho de 2026, o imposto de importação de veículos elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais chegou ao teto de 35% no Brasil, após cronograma de aumento gradual iniciado em janeiro de 2024.
A medida busca incentivar a produção local de veículos eletrificados, em meio ao crescimento acelerado da demanda por esse tipo de carro no país.
O avanço da eletromobilidade também é observado em outras regiões citadas pela IEA no mesmo levantamento, como Austrália, Índia, Coreia do Sul e Vietnã, países que registraram comportamento de mercado semelhante ao brasileiro entre março e junho deste ano.






