A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apresentou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionamentos sobre a integridade dos dados extraídos de seu celular, com base em uma perícia particular. Os advogados sustentam que arquivos teriam sido criados ou modificados depois da apreensão pela Polícia Federal (PF) e pedem acesso ao material original da extração.
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O documento não comprova adulteração intencional nem identifica responsáveis pelas alterações apontadas. O próprio assistente técnico ressalva que os registros, isoladamente, não permitem determinar se houve intervenção humana deliberada, qual foi sua origem ou a extensão de seus efeitos.
Entenda o caso
- 17 de novembro de 2025: Vorcaro foi preso pela primeira vez e teve aparelhos apreendidos.
- 18 de novembro de 2025: a análise particular aponta registros de 657 arquivos modificados e 436 criados após a apreensão.
- 26 de outubro de 2026: o perito Marcos Monteiro entregou a análise preliminar contratada pela defesa.
- 29 de outubro de 2026: os advogados levaram os questionamentos ao STF e reiteraram pedidos de acesso aos dados originais.
O que diz a perícia contratada pela defesa
Assinado por Marcos Monteiro, o documento examina arquivos fornecidos à equipe de defesa e reunidos em um dispositivo de armazenamento. A análise questiona a documentação da cadeia de custódia e a possibilidade de conferir se o relatório disponibilizado corresponde à totalidade dos dados originalmente coletados.
Segundo o assistente técnico da defesa, teriam sido registrados 207 eventos de tela e 33 ativações da câmera frontal entre a noite de 17 de novembro e a madrugada do dia seguinte. Entre os 657 arquivos com registros de modificação em 18 de novembro, 59 seriam bancos de dados. Dos 436 arquivos com registros de criação nessa data, 94 seriam imagens e cinco, bancos de dados.
Esses números integram as conclusões de uma análise encomendada pelos advogados, e não uma conclusão judicial sobre a atuação dos investigadores. As ressalvas técnicas e os pedidos estão na íntegra da análise preliminar.
Registros posteriores não esclarecem, sozinhos, o que aconteceu
O laudo diferencia a identificação de atividade no aparelho da comprovação de manipulação deliberada. Uma conexão USB, por exemplo, não permitiria determinar, por si só, se o telefone foi conectado apenas a uma fonte de energia ou a outro equipamento, nem comprovar transferência de dados.
Ao mesmo tempo, o perito sustenta que a ausência de comprovação de intervenção humana também não autoriza considerar as alterações automáticas ou inofensivas sem registros que expliquem os eventos. Essa é a limitação que fundamenta o pedido de novos elementos para análise.
Defesa busca dados brutos e documentação da custódia
Os advogados solicitam os arquivos originais da coleta, os registros técnicos da extração e informações sobre o manuseio e a preservação do aparelho. A cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos que documenta o percurso do vestígio, desde sua coleta até o exame e o armazenamento.
Em manifestação à CNN Brasil, o advogado Sergio Leonardo afirmou que, se a ilicitude das provas for comprovada, a defesa pedirá sua anulação. A posição foi relatada na entrevista sobre os próximos pedidos dos advogados.
Laudo particular não representa anulação da investigação
A discussão apresentada pela defesa é uma contestação à confiabilidade do material. O relatório particular não equivale a uma decisão de exclusão das provas ou de encerramento da investigação. Não foi localizada, nas fontes consultadas, decisão judicial acolhendo os questionamentos divulgados nesta quinta-feira.
Também não foi localizada, até o fechamento deste texto, manifestação específica da PF sobre esse laudo. O espaço permanece aberto para a posição da corporação e será atualizado com esclarecimentos oficiais.
Perguntas frequentes
Quem contratou a perícia sobre o celular de Vorcaro?
A defesa de Daniel Vorcaro. A análise preliminar foi elaborada pelo assistente técnico Marcos Monteiro.
O laudo comprovou adulteração intencional das provas?
Não. O documento aponta registros que precisam de esclarecimento e reconhece que não é possível atribuí-los, isoladamente, a uma intervenção humana deliberada.
A investigação foi anulada por causa desse laudo?
Não foi localizada decisão nesse sentido. A defesa pretende usar os questionamentos para discutir a validade das provas perante o STF.







