Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor já nesta sexta-feira (24).
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A medida se soma à tarifa de 25% aplicada desde quarta-feira (22) e pode elevar a tributação de parte das exportações brasileiras para até 37,5%.
O que muda com a nova tarifa
A nova sobretaxa substitui a taxa global temporária de 10% que vigorava desde fevereiro e que perde a validade nesta sexta-feira, mesma data em que a nova cobrança começa a valer.
A decisão foi confirmada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, do Escritório do Representante de Comércio (USTR), sob orientação do presidente Donald Trump.
Com a soma das duas tarifas, produtos que já enfrentavam a sobretaxa de 25% em vigor desde quarta podem chegar a 37,5% de tributação ao entrar no mercado americano.
Por que os EUA aplicaram a sobretaxa
A medida decorre de uma investigação do USTR baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta em março deste ano contra 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos.
Segundo o órgão americano, o Brasil está entre 54 países que não proíbem nem fiscalizam de forma efetiva a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados internos.
O levantamento do USTR aponta que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos ligados a trabalho forçado em cinco categorias: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.
Na avaliação americana, essa falha de fiscalização permite a entrada de mercadorias mais baratas no mercado brasileiro, criando vantagem competitiva indevida para as exportações do país.
Quais produtos e países foram afetados
Além do Brasil, outros 53 países receberam a mesma sobretaxa de 12,5%, incluindo China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.
Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia ficaram numa categoria à parte, com tarifa adicional de 10%, por já possuírem mecanismos de controle considerados insuficientes pelos EUA.
A investigação da Seção 301 também tratou de outros temas na relação comercial com o Brasil, como o Pix, comércio digital, propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.
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Contexto
A sobretaxa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira (22) atinge cerca de US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos.
As duas medidas em conjunto ampliam a ofensiva comercial do governo Trump contra o Brasil, num momento em que o governo brasileiro tenta negociar uma redução das tarifas.






