A China passou a cobrar uma sobretaxa de 55% sobre as exportações de carne bovina brasileira que ultrapassam a cota anual definida por Pequim.
Publicidade
A medida gerou um boato nas redes sociais de que a tarifa valeria para todas as exportações brasileiras, o que não é verdade: ela atinge só o volume de carne bovina acima do limite.
O que realmente mudou
A regra é uma salvaguarda comercial anunciada pela China em dezembro de 2025, que vale para todos os países exportadores de carne bovina, não apenas para o Brasil.
Dentro da cota anual, o produto brasileiro entra na China com alíquota de 12%. Só o volume que ultrapassa esse teto passa a pagar a sobretaxa adicional de 55%.
O Brasil recebeu a maior cota individual entre os países exportadores: 1,106 milhão de toneladas por ano. O limite foi atingido no fim de junho, e a tarifa extra passou a valer a partir de então.
Por que circulou o boato de tarifa geral
Checagens da Agência Lupa e do Boatos.org confirmaram que não existe nenhuma medida chinesa taxando todos os produtos brasileiros em 55%.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, consultado pela Lupa, “a informação não procede”. O órgão reforça que a sobretaxa é específica para a carne bovina acima da cota.
Reação do MAPA e do Itamaraty
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) emitiu nota esclarecendo que a tarifa incide apenas sobre a parcela excedente, não sobre o total comercializado.
O governo brasileiro também destacou que o país obteve a maior cota entre as nações exportadoras, e que esse limite total ainda não havia sido superado até a divulgação da nota.
Apesar do impacto no setor, o governo Lula tem priorizado a negociação diplomática com Pequim e não anunciou, até o momento, nenhuma medida de reciprocidade comercial.
Impacto no setor de carne
Em 2025, o Brasil exportou 1,68 milhão de toneladas de carne bovina à China, o que representa 52% de todas as exportações do setor no país.
Com a nova regra, cerca de 580 mil toneladas anuais que antes seguiam para o mercado chinês terão de buscar o consumo interno ou outros países compradores.
A Abiec projeta queda de até 10% no volume total de exportações de carne bovina, com impacto financeiro estimado em até US$ 3 bilhões, e frigoríficos já suspenderam linhas de produção voltadas à China.
A cobertura completa de comércio exterior você acompanha na editoria do A Folha Hoje.
Contexto
A salvaguarda chinesa nasceu de uma investigação do Ministério do Comércio, que concluiu que o crescimento acelerado das importações de carne bovina prejudicava a pecuária doméstica do país.
O governo chinês afirma que a medida não tem como alvo interromper o comércio, mas equilibrar os interesses de consumidores, produtores locais e países exportadores.
A tensão comercial entre os dois países também aparece em outras frentes, como a disputa em torno dos botijões de gás chineses e o crescimento das importações desse produto no mercado brasileiro.






