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Brasil nega visto a funcionários dos EUA que iriam discutir urnas eletrônicas

Brasil negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que iriam discutir as urnas eletrônicas; americanos evitaram comentar o propósito da viagem

Brasil nega visto a funcionários dos EUA que iriam discutir urnas eletrônicas
Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo brasileiro negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam vir ao país para tratar do sistema eleitoral.

A recusa foi confirmada neste sábado (25) pelo Ministério das Relações Exteriores, três dias depois da decisão ter sido comunicada ao governo americano.

Quem são os funcionários e o que eles queriam

Os vistos negados eram de Riley Barnes, subsecretário do Departamento de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e do subsecretário adjunto Samuel Samson.

Segundo o governo brasileiro, o objetivo declarado da viagem era conversar com autoridades eleitorais sobre liberdade de expressão relacionada às eleições de outubro.

O pedido de visto foi apresentado em 20 de julho, e a negativa foi comunicada ao governo dos Estados Unidos no fim da semana seguinte.

Por que o Brasil negou os vistos

Chamou atenção das autoridades brasileiras o fato de o pedido ter vindo logo depois de um evento em que políticos do país se reuniram com diplomatas para questionar as urnas eletrônicas.

O governo avaliou a visita como instrumentalização política em pleno contexto eleitoral e uma possível tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil.

O caso ganhou força depois que o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, sem provas, que as urnas usariam tecnologia da empresa venezuelana Smartmatic.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia desmentido essa informação na quarta-feira (22), afirmando que as urnas são projetadas e produzidas sob coordenação direta de servidores da própria Justiça Eleitoral.

Qual foi a reação dos Estados Unidos

A revelação do episódio partiu do jornal americano The Washington Post, que questionou diretamente o Departamento de Estado sobre o caso.

Em resposta, o órgão americano confirmou que Barnes e Samson planejavam viajar a Brasília, mas evitou detalhar o propósito oficial da missão.

O Departamento de Estado também não respondeu se a Casa Branca tem alguma preocupação específica com a integridade do processo eleitoral brasileiro.

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Contexto

O episódio se soma a uma sequência de atritos recentes entre Brasília e Washington, com tarifas comerciais, críticas públicas mútuas e divergências sobre processos judiciais envolvendo a família Bolsonaro.

Enquanto aliados do governo americano intensificam críticas ao Judiciário brasileiro, o presidente Lula tem reiterado, em fóruns internacionais, a rejeição a tentativas externas de interferência na soberania eleitoral do país.