O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escalou o tom das ameaças contra o Irã declarando que o país viverá no “inferno” caso não chegue a um acordo sobre seu programa nuclear. Em pronunciamento e posts nas redes sociais, Trump afirmou que os EUA têm como alvo potencial a infraestrutura crítica iraniana — incluindo instalações de energia, comunicações e petróleo — se as negociações fracassarem.
“Já avisei. Se não chegarem a um acordo, vocês viverão no inferno. É simples assim”, declarou Trump. A declaração, considerada a mais agressiva do presidente americano em relação ao Irã até o momento, provocou reação imediata de Teerã e de aliados europeus dos EUA.
Contexto das negociações
As ameaças surgem em meio a negociações mediadas pelo Paquistão entre Washington e Teerã. Os EUA exigem que o Irã suspenda completamente seu programa de enriquecimento de urânio como condição para o fim das sanções e a normalização das relações. O Irã, por sua vez, insiste em manter capacidade nuclear para fins civis e recusa qualquer interferência externa em seu programa.
A escalada acontece no momento em que o bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz mantém os preços do petróleo em nível crítico nos mercados internacionais, aumentando a pressão sobre a Casa Branca para uma resolução rápida do conflito.
Reação do Irã e da comunidade internacional
Autoridades iranianas reagiram com indignação. O ministério das Relações Exteriores do Irã classificou as declarações de Trump como “terrorismo verbal” e reafirmou que o país “não cederá a chantagens”. Aliados europeus dos EUA, como França e Alemanha, pediram cautela e reiteraram o apoio à via diplomática.
Especialistas em direito internacional alertaram que ataques a infraestrutura civil — como estações de energia e água — podem configurar violação do direito humanitário internacional, expondo os EUA a questionamentos no Tribunal Penal Internacional.
“A era do bonzão acabou”
Em vídeo amplamente compartilhado, Trump afirmou que “a era do cara bonzinho acabou”, sinalizando disposição para ações militares mais incisivas. O secretário de Estado Marco Rubio, por sua vez, alertou que o fechamento do Estreito de Ormuz seria “suicídio econômico” para o Irã, mas reconheceu que a crise afeta toda a economia global, inclusive os próprios aliados dos EUA.
