Unifesp Inova com Laboratório de Diagnóstico Molecular para Ampliar Acesso a Tratamentos Precisos no SUS
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) deu um passo significativo para o avanço da medicina pública no Brasil com a inauguração do Laboratório de Multiômica Espacial do Centro Avançado de Diagnóstico Molecular. Este centro representa um marco na aplicação de tecnologias de ponta para o benefício direto dos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Com um investimento expressivo de R$ 10 milhões, majoritariamente oriundo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a nova instalação está localizada no Hemocentro do Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp. O objetivo é integrar o que há de mais moderno em genômica e biologia molecular ao atendimento clínico.

A criação deste centro avançado de pesquisa e diagnóstico molecular público, o primeiro do tipo no Brasil, também contou com o apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e bolsas de pesquisa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Conforme divulgado pela CNN Brasil, o projeto ainda prevê uma colaboração com o Ministério da Saúde para expandir gradualmente os serviços a outras unidades de saúde municipais e estaduais.
Detecção Precoce e Tratamentos Personalizados: O Foco do Novo Laboratório
O principal objetivo do novo laboratório, segundo Soraya Smaili, coordenadora do centro, é ampliar a detecção precoce de doenças complexas, como câncer, distúrbios neurodegenerativos e imunológicos. Isso será possível através da identificação precisa de biomarcadores específicos, abrindo caminho para tratamentos personalizados e, consequentemente, para a redução de custos no sistema público de saúde.
Inicialmente, o foco está na detecção de mutações para as quais o SUS já oferece tratamento, incluindo diversos tipos de câncer, como de colo intestinal, mama, tireoide, endométrio e pulmão. A expectativa é que, com o avanço das pesquisas, o leque de serviços se expanda para abranger outras enfermidades.
Smaili ressalta que o diagnóstico molecular oferece maior precisão e eficácia no tratamento, sendo mais rápido, seguro e potencialmente mais econômico. Ao direcionar o tratamento correto desde o início, evita-se gastos desnecessários e melhora-se o prognóstico do paciente.
Tecnologia de Ponta para a Medicina de Precisão
O laboratório está equipado com tecnologia de última geração, incluindo o dPCR (PCR Digital), capaz de detectar material tumoral com altíssima sensibilidade. Outro equipamento de destaque é o Xenium Analyzer, que permite analisar o transcriptoma espacial, mapeando a expressão gênica diretamente em cortes de tecidos e preservando a localização celular. Essa ferramenta é capaz de analisar até 5 mil alvos simultâneos em uma única amostra de tecido.
A plataforma multiômica também possibilita o estudo de alterações no DNA de células em amostras de tecidos muito pequenas e a realização da biopsia líquida, uma técnica inovadora que analisa mutações a partir de uma simples coleta de sangue do paciente. Esses avanços são cruciais para a medicina de precisão, que visa adaptar as terapias ao perfil genético e molecular de cada indivíduo.
Impacto e Colaboração para o Futuro da Saúde Pública
Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, destacou a iniciativa como um exemplo de ciência de resultados, com potencial para impactar diretamente a qualidade dos serviços públicos. Ele enfatizou a importância da articulação entre recursos estaduais e federais, e a colaboração com o setor privado, como um modelo necessário para o Brasil.
Olival Freire, presidente do CNPq, celebrou o laboratório como a concretização de um anseio da ciência brasileira pela defesa da saúde, autonomia e soberania do país. Luiz Antonio Elias, presidente da Finep, acrescentou que o centro coloca o Brasil na vanguarda do conhecimento, aproximando a tecnologia da qualidade de vida das pessoas e fortalecendo a capacidade científica do Estado.
A cerimônia de inauguração contou com a presença de representantes de diversas instituições, incluindo a reitora da Unifesp, Raiane Assumpção, e secretários de ciência e tecnologia, reforçando o caráter colaborativo e a importância estratégica deste novo centro para o futuro da saúde pública brasileira.
