Sergipe

Sergipe corre risco de apagão de internet, aponta deputado

Audiência na Alese debateu exigências da Energisa para compartilhamento de postes usados por provedores

Sergipe corre risco de apagão de internet, aponta deputado
Participantes da audiência pública na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) sobre o compartilhamento de postes para internet. Foto: Assessoria do Parlamentar

O deputado estadual Georgeo Passos (Republicanos) participou nesta quarta-feira (15) de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) para discutir o uso de postes de energia na distribuição de internet no estado.

O encontro reuniu provedores, representantes da Anatel e parlamentares para debater as exigências da Energisa quanto ao compartilhamento da infraestrutura dos postes, usada também pelas empresas de telecomunicações.

Risco de apagão e impacto em empregos

Segundo dados apresentados na audiência, os provedores regionais respondem por cerca de 85% da internet distribuída em Sergipe.

O setor emprega mais de 9 mil pessoas de forma direta e indireta no estado, conforme representantes dos provedores.

De acordo com Georgeo Passos, aproximadamente 248 empresas podem ser impactadas caso as novas regras da Energisa sejam mantidas.

O que motivou o debate

A Energisa exige a identificação padronizada dos cabos de fibra óptica instalados nos postes de energia, usados pelos provedores para distribuir internet.

Para o deputado, trata-se da terceira mudança nas exigências da concessionária em pouco tempo, o que eleva os custos de adequação das empresas.

A concessionária, que também já teve casos recentes de furto de cabos em sua rede de postes em Aracaju, foi convidada para a audiência desta quarta-feira, mas não enviou representante.

Embora os postes usados pelos provedores pertençam à União, a administração dessa infraestrutura é feita pela própria concessionária de energia.

Reações no debate

“Nosso objetivo é buscar uma solução que preserve os empregos e a segurança jurídica.” — Georgeo Passos, deputado estadual (Republicanos)

O presidente do Sindicato dos Provedores de Internet de Sergipe, Pedro de Araújo Neto, defendeu que o setor seja ouvido e alertou para o risco de um apagão caso as novas regras sejam aplicadas como estão.

Já o presidente da Associação dos Provedores, José Marcolino, argumentou que o setor presta um serviço essencial e defendeu uma solução que concilie a organização da rede com a continuidade do atendimento à população.

Também participaram da audiência:

  • Luizão Donatrump, presidente da Comissão de Energia e Comunicação da Assembleia Legislativa
  • Leonardo Lago, representante da Anatel
  • Kaká Santos, deputado estadual

O impasse segue sem solução definitiva e preocupa provedores e usuários de internet em Sergipe.

Contexto

A exigência de identificação dos cabos de fibra óptica havia sido anunciada pela Energisa com prazo até 30 de junho de 2026, considerado curto pelos provedores.

Segundo o Sindicato dos Provedores de Internet de Sergipe, a adequação às novas regras pode custar cerca de R$ 10 milhões ao setor.

Em nota anterior, a Energisa negou ter um plano de desconexão em massa dos serviços de internet no estado.

Uma reunião mediada pelo Ministério Público de Sergipe já havia tentado aproximar provedores e concessionária, sem que um acordo fosse fechado até aquele momento.

Georgeo Passos protocolou um projeto de lei para padronizar e limitar os valores cobrados pelas concessionárias de energia pelo compartilhamento dos postes.

O parlamentar também cobrou providências da Agência Reguladora de Sergipe (Agrese), já que a exigência seria a terceira mudança de regra imposta pela concessionária em cerca de seis meses.