Sergipe

Kitty Lima repudia 22º feminicídio registrado em Sergipe em 2026 e cobra rede de proteção mais efetiva

A deputada estadual Kitty Lima (PSB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) para manifestar repúdio e indignação…

Kitty Lima repudia 22º feminicídio registrado em Sergipe em 2026 e cobra rede de proteção mais efetiva

A deputada estadual Kitty Lima (PSB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) para manifestar repúdio e indignação diante do 22º feminicídio registrado em Sergipe apenas em 2026.Em seu pronunciamento, a parlamentar citou o caso mais recente, ocorrido no último domingo, em Moita Bonita.

A vítima foi Cateane Santos Sampaio, de 39 anos, ajudante de cozinha e mãe de quatro filhos.”Venho a esta tribuna com um sentimento de profunda tristeza, mas também de indignação. Cateane era ajudante de cozinha, mãe de quatro filhos e tinha uma vida inteira pela frente. Segundo informações da Polícia Militar, ela retornava de uma festa quando foi surpreendida pelo marido, que a aguardava nas proximidades de sua residência”, relatou.

Kitty destacou um agravante que torna o crime ainda mais doloroso: o assassinato foi presenciado pela filha da vítima, uma adolescente de 15 anos.”Existe um detalhe que torna tudo ainda mais doloroso. É impossível não sentir revolta. Imaginem o sofrimento dessa adolescente. Imaginem o vazio que fica na vida de quatro filhos que perderam a mãe. Uma família foi destruída”, lamentou.

A deputada lembrou que além de Cateane, outro caso recente foi registrado em Riachão do Dantas, totalizando 22 mulheres mortas este ano no estado por feminicídio.”Vinte e duas mulheres. Não estamos falando apenas de estatística. São 22 vidas interrompidas, de filhos que perderam suas mães. Não podemos aceitar que a violência contra a mulher continue sendo vista como questão privada, problema de casal ou tragédia inevitável. Nenhuma discussão, nenhuma separação, nenhuma rejeição e nenhuma decisão de uma mulher sobre a própria vida justificam qualquer forma de violência”, reforçou.

Para Kitty Lima, é urgente fortalecer uma rede de proteção integrada, envolvendo segurança pública, saúde, assistência social, educação e sistema de Justiça, com alcance também nos municípios do interior, onde o acesso a serviços especializados é mais difícil.”É fundamental que nossas crianças e adolescentes cresçam compreendendo que relacionamento não é posse, que ciúme não é demonstração de amor e que nenhuma pessoa tem o direito de controlar a vida de outra. Combater o feminicídio é também enfrentar a cultura que naturaliza a violência, o controle e a desigualdade nas relações”, pontuou.

Ao encerrar, a parlamentar afirmou que o Legislativo não pode se limitar à lamentação.”Enquanto representantes do povo, não podemos nos limitar a uma manifestação de pesar. Não basta lamentar cada feminicídio, é preciso trabalhar para impedir o próximo. Cada mulher que perde a vida representa uma falha coletiva que precisa nos mobilizar, não nos acostumar”, disse.”Quero encerrar deixando uma mensagem a todas as mulheres sergipanas: vocês têm direito à liberdade, à dignidade, à segurança e, acima de tudo, à vida! Nenhuma mulher deve viver com medo de quem deveria respeitá-la. Que a memória de Cateane e de tantas outras nos faça transformar indignação em compromisso e compromisso em ações concretas”, concluiu.