Síndrome Metabólica do Fígado: A Doença Silenciosa que Pode Levar ao Transplante e Câncer, Alertam Especialistas - A Folha Hoje

Síndrome Metabólica do Fígado: A Doença Silenciosa que Pode Levar ao Transplante e Câncer, Alertam Especialistas

O que é a Síndrome Metabólica do Fígado?

A síndrome metabólica do fígado é uma condição grave que pode se desenvolver de forma silenciosa, comprometendo seriamente a saúde hepática. Ela se manifesta por um conjunto de alterações metabólicas, afetando principalmente indivíduos com fatores de risco como diabetes, obesidade e alterações nos níveis de colesterol e triglicérides.

O problema começa com uma inflamação generalizada no corpo, mas o fígado é frequentemente o órgão mais afetado a longo prazo. Pessoas que se consideram saudáveis, mas possuem um “diabetes leve”, obesidade, aumento da circunferência abdominal e níveis de lipídios alterados, podem estar em risco.

Os sintomas, preocupantemente, costumam surgir apenas quando o fígado já está significativamente comprometido. A síndrome metabólica, que também inclui hipertensão arterial, eleva consideravelmente o risco de doenças cardiovasculares e hepáticas graves. Conforme explica Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, professor titular de transplantes de fígado da Faculdade de Medicina da USP, “o doente vai ficando inflamado como um todo, mas muitas vezes o fígado é o que mais será comprometido no final”.

O Perigo Oculto dos Anabolizantes e Suplementos

O professor Alberto Queiroz Farias, da área de gastroenterologia da FMUSP, destaca uma preocupação crescente: o consumo de hormônios e outras substâncias sem prescrição médica. O uso de anabolizantes, por exemplo, pode causar danos severos ao fígado, como hepatite tóxica, que pode evoluir para a necessidade de transplante hepático ou até mesmo câncer de fígado.

“Anos após, a pessoa nem lembra mais que consumiu, que usou excesso de substâncias, aparece com câncer de fígado”, alerta Farias. Ele ressalta que o mesmo cuidado deve ser observado com suplementos alimentares como whey protein e creatina. Embora seguros quando usados corretamente, o consumo excessivo ou sem orientação adequada pode sobrecarregar o fígado, especialmente em quem já tem alguma condição hepática prévia.

A Inflamação que Afeta o Fígado

A síndrome metabólica do fígado está intrinsecamente ligada a um estado inflamatório crônico no organismo. Essa inflamação, muitas vezes silenciosa, atinge diversos órgãos, mas o fígado, por sua função central no metabolismo, é particularmente vulnerável.

Fatores como diabetes tipo 2, resistência à insulina, obesidade abdominal e dislipidemia (colesterol e triglicérides altos) criam um ambiente propício para o desenvolvimento da doença hepática gordurosa não alcoólica, que pode progredir para inflamação mais séria (esteato-hepatite não alcoólica) e, em casos graves, para fibrose, cirrose e insuficiência hepática.

Riscos Adicionais e Complicações Graves

Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque reforça a gravidade do uso indevido dessas substâncias, mencionando que “esses pacientes chegam a ser transplantados pelo uso indevido dessas substâncias”. Casos de atletas que faleceram devido a complicações relacionadas ao uso de hormônios anabolizantes também são registrados, evidenciando o alto risco associado a essas práticas.

É fundamental que o consumo de suplementos e, principalmente, de hormônios, seja feito sob estrita orientação médica. “É preciso respeitar as doses recomendadas pelo fabricante e precisa ter certeza de que a pessoa é saudável”, orienta Alberto Queiroz Farias, enfatizando a importância da avaliação profissional para evitar danos irreparáveis à saúde hepática e geral.

Prevenção e Diagnóstico Precoce

A prevenção da síndrome metabólica do fígado passa pelo controle dos fatores de risco. Manter um peso saudável, praticar atividades físicas regularmente, ter uma alimentação balanceada e monitorar os níveis de glicose, colesterol e pressão arterial são passos essenciais.

O diagnóstico precoce, muitas vezes feito através de exames de sangue e ultrassonografia abdominal, permite iniciar o tratamento antes que a doença cause danos irreversíveis. A conscientização sobre os perigos da automedicação e do uso indiscriminado de substâncias é crucial para a proteção da saúde hepática.

1. O Mecanismo da Doença: Por que o fígado?

O fígado funciona como a central de processamento do corpo. Quando há um excesso de glicose e gordura no sangue (comum no diabetes e obesidade), o órgão começa a estocar esses lipídios em suas próprias células (hepatócitos).

  • A Inflamação Silenciosa: O acúmulo de gordura gera oxidação e estresse celular. Isso atrai células de defesa que causam inflamação. Com o tempo, essa inflamação gera cicatrizes (fibrose), que endurecem o fígado até que ele perca sua função (cirrose).

2. O Alerta sobre Suplementos e Anabolizantes

Este é o ponto mais “noticiável” para o público jovem. O texto acerta ao diferenciar o uso seguro da suplementação (Whey e Creatina) do uso recreativo de hormônios.

  • Hepatotoxicidade: Esteroides anabolizantes são metabolizados pelo fígado. O excesso pode causar colestase (interrupção do fluxo de bile) e adenomas hepáticos, que podem se transformar em carcinomas (câncer).

  • O fator tempo: O alerta do Prof. Alberto Farias sobre o câncer aparecer “anos após” o uso é um argumento poderoso para campanhas de conscientização.

3. Fatores de Risco Combinados

A síndrome metabólica não é uma doença isolada, mas um conjunto de fatores. Para o seu portal, vale destacar o “Checklist de Risco”:

  • Circunferência abdominal: Homens > 102cm | Mulheres > 88cm.

  • Triglicérides: Acima de 150 mg/dL.

  • HDL (Bom colesterol): Baixo ( < 40 em homens ou < 50 em mulheres).

  • Pressão Arterial: Acima de 130/85 mmHg.

  • Glicemia de Jejum: Acima de 100 mg/dL.

 

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