Ex-presidente do BRB é preso em esquema de R$ 140 milhões - A Folha Hoje

Ex-presidente do BRB é preso em esquema de R$ 140 milhões

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, é detido pela Polícia Federal em desdobramento da Operação Compliance Zero, ligada a investigações sobre o Banco Master.

A Polícia Federal (PF) efetuou a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), nesta quinta-feira (16). A ação faz parte de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e delitos financeiros relacionados ao Banco Master.

Costa já havia sido afastado de seu cargo em novembro do ano passado, durante a primeira etapa da operação. Na ocasião, o Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após a instituição ter recusado uma oferta de venda para o BRB, alegando riscos excessivos na transação.

As investigações apontam que Paulo Henrique Costa teria recebido R$ 140 milhões de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, como propina. O objetivo seria viabilizar a aquisição da instituição financeira pelo BRB. Além disso, o ex-presidente é suspeito de ter orquestrado uma pressão interna para que acionistas do BRB comprassem ações utilizando verbas provenientes do próprio Banco Master.

Aprovação de ativos problemáticos e compras suspeitas

De acordo com apurações da CNN, Paulo Henrique Costa teria ignorado recomendações internas de governança corporativa. Ele teria aprovado a compra de ativos considerados “podres” do Banco Master, no valor aproximado de R$ 12 bilhões, mesmo ciente de que se tratavam de carteiras fraudulentas.

As transações financeiras entre as instituições chamaram a atenção. Fundos vinculados ao Banco Master teriam adquirido, no mínimo, R$ 1 bilhão em ações do BRB. Um dado alarmante é que 95% das carteiras de crédito adquiridas pelo Banco de Brasília nos últimos dois anos eram provenientes do Banco Master.

Declarações do ex-presidente e inconsistências reveladas

Em seu depoimento à PF em dezembro de 2025, Paulo Henrique Costa admitiu que o BRB realizava a compra mensal de carteiras de crédito do Banco Master. Ele declarou que as inconsistências nessas transações só se tornaram claras para ele após as operações terem sido realizadas.

A prisão de Paulo Henrique Costa representa um avanço significativo na Operação Compliance Zero, aprofundando as investigações sobre as conexões e irregularidades financeiras entre o BRB e o Banco Master, e os possíveis crimes cometidos.


Análise: O “Castelo de Cartas” entre o Público e o Privado

O desdobramento da Operação Compliance Zero revela mais do que um caso isolado de corrupção; expõe uma falha sistêmica na governança do BRB. O dado mais alarmante da investigação não é apenas o valor da propina, mas a concentração de risco: quando um banco de economia mista permite que 95% de suas aquisições de crédito venham de uma única fonte sob investigação, o compliance deixou de ser uma barreira para se tornar apenas uma formalidade burocrática.

Os três pilares da crise:

  1. Risco Sistêmico: A tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, barrada pelo Banco Central, sugere que o BRB estava sendo utilizado como uma “ferramenta de resgate” para ativos insolventes, o que poderia comprometer a saúde financeira do Distrito Federal.

  2. Maquiagem de Balanços: A suspeita de que acionistas foram pressionados a comprar ações com dinheiro do próprio Banco Master configura uma tentativa de inflar o valor de mercado das instituições de forma artificial, o que é crime de manipulação de mercado.

  3. A Fragilidade do Compliance: O fato de o ex-presidente alegar que só viu “inconsistências” após as transações de bilhões de reais levanta um alerta para investidores: até que ponto os comitês de auditoria e riscos possuem independência real em bancos com forte influência política?

Essa prisão marca um divisor de águas para o setor bancário brasileiro em 2026, reforçando que a vigilância do Banco Central sobre operações de aquisição entre bancos médios e estatais está mais rígida do que nunca.

Análise Estratégica: O Colapso da Governança no BRB

A prisão de Paulo Henrique Costa na Operação Compliance Zero vai além de um caso isolado de corrupção; ela expõe uma falha crítica nos mecanismos de controle do Banco de Brasília. O dado mais alarmante revelado pela Polícia Federal não é apenas a propina de R$ 140 milhões, mas a concentração de risco: permitir que 95% das carteiras de crédito do banco viessem de uma única instituição sob investigação é um sinal vermelho para qualquer investidor.

Este cenário sugere que o BRB pode ter sido utilizado como uma “ferramenta de salvamento” para ativos insolventes do Banco Master, o que configura um risco sistêmico grave. A alegação da defesa de que as “inconsistências” só foram percebidas após o fato consumado levanta uma questão essencial para o mercado em 2026: até que ponto os conselhos de administração e comitês de risco possuem independência real frente a pressões políticas e interesses privados?

O desfecho deste caso servirá como um novo parâmetro de rigor para o Banco Central e para o compliance de instituições de economia mista em todo o país.