Onda de violência na Colômbia expõe divisões políticas e intensifica críticas à “Paz Total” de Petro, com cinco semanas para a eleição presidencial.
Um recente atentado que vitimou ao menos 20 pessoas no sudoeste da Colômbia, em meio a uma escalada de ataques na região, gerou condenações políticas. No entanto, as reações também revelaram as profundas divisões que marcam o acirrado clima eleitoral, a poucas semanas da votação presidencial.
A violência em áreas rurais, foco de confrontos com grupos armados ilegais, pode ser explorada pelos candidatos para reforçar seus discursos e conquistar eleitores indecisos. Analistas apontam que o medo é um fator de grande impacto nesse cenário.
A “Paz Total”, política de segurança do presidente Gustavo Petro, que busca diálogos com grupos armados, tem sido o principal alvo das críticas da oposição. A falta de resultados concretos e o aumento da violência levantam questionamentos sobre sua eficácia.
Conforme informação divulgada pela CNN, o analista político Jaime Arango, ex-assessor de segurança nacional, afirmou que os ataques podem “exacerbar os discursos para buscar uma audiência mais convencida na hora de ir às urnas”. Ele ressaltou que o temor tem maior impacto nas regiões rurais.
Candidato do governo vê “inquietação legítima” e temores de manipulação
O candidato do governo, Iván Cepeda, classificou como “profundamente preocupante” a ocorrência de atentados em regiões onde seu apoio popular é significativo. Ele levantou a possibilidade de que esses atos visem gerar um clima de medo para favorecer setores da extrema-direita.
Cepeda destacou que “surge uma inquietação legítima sobre se, além de causar dano e insegurança na população, esses atos buscam gerar um clima de medo que favoreça interesses de setores de extrema direita”.
Pesquisa recente da Invamer indica que Cepeda lidera com 44,3% das intenções de voto, mas ainda não alcança a maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno.
Oposição critica a “Paz Total” e vê “fracasso” na política de segurança
A candidata Paloma Valencia, do Centro Democrático, rejeitou a interpretação de Cepeda, afirmando que “o país não merece que se desvie a atenção insinuando que isso busca favorecer setores políticos. Chegou o momento de assumir, com todas as letras, que a Paz Total FRACASSOU”.
Valencia criticou a política de “Paz Total” de Petro, que tem incluído negociações com o ELN e dissidências, sem resultados visíveis. Ela defendeu que o presidente deveria estar presente nos locais dos atentados para tranquilizar a população.
O candidato ultradireitista Abelardo de la Espriella também atribuiu a violência à estratégia de Petro, propondo uma “guerra frontal, sem trégua nem negociação” contra os grupos armados. Ele classificou a violência como parte de um “plano de desestabilização do desgoverno de Petro”.
Violência dispersa, mas com impacto eleitoral
O cientista político León Valencia, diretor da PARES, observou que, embora os atos de violência ocorram em zonas de fronteira e com presença de cultivos ilícitos, e não afetem diretamente o eleitorado urbano como um assassinato político de grande repercussão, eles “prejudicam muito o processo eleitoral como um todo”.
Ele alertou que a onda de atentados “prejudica muito” o desenvolvimento da campanha, especialmente para a esquerda. “As pessoas dizem: ‘É um fracasso da paz total’. Há um aumento das ações dos grupos ilegais com os quais Petro estava negociando”, analisou.
Medo como fator decisivo nas eleições?
A popularidade de Petro sofreu um leve declínio, mas ainda se mantém acima da média. No entanto, o cientista político Alejo Vargas concorda com as críticas à política de segurança e considera necessária uma mudança radical.
Vargas avalia que a “paz total é um fracasso” e que o próximo presidente terá que repensar completamente essa política. Ele também alertou que os atentados “vão continuar se apresentando, infelizmente”, mas reconheceu que “o terrorismo aumenta o medo na população”, um fator que pode ser decisivo em um contexto eleitoral.
Essa atmosfera de medo, segundo Vargas, “pode ser capitalizada pelas campanhas de ambos os lados”, indicando que a segurança e a paz se tornam temas centrais na reta final da disputa presidencial colombiana.
