Novo cronograma de leilões ferroviários prevê concessões entre setembro e dezembro, com foco em projetos estratégicos e atratividade de mercado.
O Ministério dos Transportes anunciou uma revisão no cronograma de leilões ferroviários, concentrando as concessões para o final de 2026. A decisão surge após o atraso na publicação do edital do Corredor Minas-Rio, indicando uma nova estratégia para o avanço dos projetos de infraestrutura logística no país.
A expectativa é que a pasta divulgue em breve o novo calendário, com os leilões previstos para ocorrerem entre setembro e dezembro deste ano. Essa reorganização visa otimizar o processo e garantir maior assertividade na atração de investimentos privados para o setor ferroviário brasileiro.
A primeira ferrovia a ser ofertada no mercado deve ser a EF-118, conhecida como Anel Ferroviário Sudeste, seguida pelo Corredor Minas-Rio. Inicialmente, ambos estavam programados para junho e abril, respectivamente, mas foram realinhados dentro da nova estratégia do ministério. As informações foram apuradas por reportagem com autoridades envolvidas nos projetos.
Malha Sul desmembrada e outros projetos no radar
Com a atualização do cronograma, o leilão da Malha Sul não deve ocorrer em 2026. O projeto foi dividido em três trechos menores: Corredor Paraná-Santa Catarina, Mercosul e Rio Grande. Essa estratégia visa aumentar a atratividade para o mercado, embora a publicação do edital ainda seja esperada para este ano.
Outros projetos importantes continuam no radar para 2026, incluindo o Anel Ferroviário Sudeste, o Corredor Minas-Rio, a Malha Oeste, o Corredor Leste-Oeste — que abrange a Fico e a Fiol — e a Ferrogrão. Estes projetos representam um avanço significativo na malha ferroviária nacional.
Ferrogrão e desafios regulatórios e judiciais
Algumas dessas iniciativas já estão em estágio avançado de estruturação, enquanto outras ainda demandam ajustes regulatórios e resoluções de decisões judiciais. A Ferrogrão, por exemplo, aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), considerado decisivo para o andamento do projeto e para o escoamento de grãos do Centro-Oeste.
Nos bastidores, há um certo otimismo quanto à evolução do tema na Corte, o que poderia destravar uma das principais apostas do governo. Contudo, persistem incertezas sobre o apetite do mercado em bancar os altos investimentos necessários para a Ferrogrão.
Estruturas de financiamento robustas são cruciais
O sucesso da Ferrogrão e de outros grandes projetos ferroviários também depende da viabilização de estruturas de financiamento mais robustas. Uma linha de crédito em discussão no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevê prazos mais longos e maior carência para empréstimos ferroviários, o que é fundamental para viabilizar economicamente essas obras de infraestrutura.
