Juros em 1 Dígito? Analista da CNN Aposta que Selic Só Cairei Abaixo de 10% na Próxima Década com Guerra e Dívida Pública - A Folha Hoje

Juros em 1 Dígito? Analista da CNN Aposta que Selic Só Cairei Abaixo de 10% na Próxima Década com Guerra e Dívida Pública

Taxa Selic de um dígito só deve se tornar realidade na próxima década, aponta Fernando Nakagawa em análise na CNN Brasil, diante das incertezas globais e da situação fiscal brasileira.

O cenário econômico atual, marcado pela guerra no Oriente Médio e por problemas crônicos nas contas públicas do Brasil, afasta a perspectiva de uma taxa Selic voltando a apresentar um dígito nos próximos anos. Segundo o analista de economia Fernando Nakagawa, em participação no CNN 360°, a expectativa é que os juros só caiam para patamares inferiores a 10% a partir de 2026, estendendo-se pela próxima década.

A preocupação do Banco Central com os desdobramentos do conflito no Oriente Médio é um fator chave nessa projeção. O Copom (Comitê de Política Monetária) destacou em sua última ata a necessidade de cautela, com os impactos da guerra nas expectativas de inflação sendo um ponto de grande atenção. A alta do petróleo, principal commodity do planeta, gera uma cadeia de aumentos que afeta combustíveis, transporte, agricultura e indústria, alimentando ondas inflacionárias.

Diante dessa incerteza sobre o impacto da guerra nos preços, o Banco Central sinalizou que a condução da política monetária exigirá serenidade e cautela. Essa postura se reflete nas projeções do mercado financeiro, que agora aposta em um ciclo de cortes na Selic mais gradual, com reduções de 0,25 ponto percentual, e que pode até ser encerrado precocemente caso a inflação se agrave.

Mercado revisa projeções e juros acima de 10% até o fim da década

Uma mudança significativa foi notada na pesquisa Focus divulgada recentemente. Pela primeira vez em muitos anos, o mercado financeiro passou a prever que o Brasil não terá mais uma taxa Selic de um dígito nos anos restantes desta década, incluindo 2026, 2027, 2028 e 2029. A expectativa para a taxa básica de juros, que esteve em torno de 9% por um longo período, subiu para acima de 10% pela primeira vez.

Dívida pública crônica e falta de reformas estruturais pesam na decisão do BC

Fernando Nakagawa aponta os problemas crônicos nas contas públicas brasileiras como uma causa estrutural para esse pessimismo. A dívida pública, que cresce ano após ano, limita o espaço do Banco Central para reduzir a taxa Selic. A lógica é clara, explica o analista: quando o governo gasta mais do que arrecada e precisa se endividar, sobram menos recursos para o setor privado, que consequentemente paga mais caro pelo crédito.

Eleições de 2026 sem perspectiva de mudança estrutural para as contas públicas

Um componente político também entra na análise. As próximas eleições presidenciais, em 2026, não trazem, segundo Nakagawa, a perspectiva de uma mudança estrutural na economia por parte dos pré-candidatos mais bem posicionados. A percepção do mercado financeiro é que nenhum dos principais nomes parece apresentar um plano concreto para resolver a situação das contas públicas. Sem essa resolução, a tendência é que os juros permaneçam elevados por mais tempo.

A cautela do Banco Central, expressa em sua última ata, reforça a ideia de que a trajetória futura da taxa Selic dependerá diretamente da evolução da inflação e da consolidação fiscal do país. A combinação de incertezas globais e desafios internos sugere um caminho longo e gradual para a volta de juros em um dígito no Brasil.

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